O mundo anda mesmo ao contrário. Eu fico imaginando onde
tudo isso vai acabar, falo hoje exclusivamente do jogo de conquista. Antes este
era um jogo arriscado onde homens e mulheres se dedicavam para conquistar o
outro, hoje basta um olhar e pronto tudo acontece ou pode acontecer. Acho que
eu ainda gosto da forma antiga, de adivinhar os gosto e aprender sobre o outro,
de dedicação, de horas de conversas, de saber a cor preferida e o time de
coração. Essa futilidade e o pular todas as etapas eu não consigo entender.
Falta este momento gostoso, pula-se as etapas e tudo passa a ser superficial. O
outro é apenas objeto de desejo, já não há o charme, as horas de nervosismo que
antecedem o encontro, a preparação para este momento. A delicia de ser amigo e companheiro
antes de se tornar um possível relacionamento. As meninas colocam aquele
vestido colado e vão virar presas nas baladas da vida, esperando sempre o príncipe
encantado. Os garotos vão as festas caçar e escolher a melhor presa para a
noite. Em meros minutos a vitima foi escolhida e sem saber nem o nome lá estão
entre beijos e amassos.
Eu não sou contra nada disso, seria um falso moralismo, apenas
sinto falta e acho que muitas também se sentem objetos em prateleiras e
vitrines sendo observadas. Não leva o que tem a melhor conversa, o charme, a
beleza, mas sim aquele que soube chegar primeiro. Não dá para imaginar um
relacionamento nascendo do nada, sem conhecer o outro, saber de onde veio ou
quais são planos para amanhã. Isso não acontece, não é difícil ouvir diversas
reclamações sobre este universo de relacionamentos. Mulheres reclamam da falta
de homens comprometidos e que desejam levar algo mais além daquele momento.
Homens reclamam que não tem mulher que não querem apenas baladas e que desejam
algo mais além de uma noite. Eis que eu sempre me pergunto se homens e mulheres
se sentem insatisfeitos com as posições perante os relacionamentos qual o
motivo de não assumirem? A resposta é simples e já ouvi milhares de vezes de
amigos, colegas e conhecidos. Como vou largar minha de vida, deixar minhas
festas de lado, meus amigos, meu jeito de levar e encarar o mundo.
Até uma criança entende, mesmo ainda não vivenciando
qualquer tipo de relacionamento, que ao escolher estar com alguém não se abre
mão da vida, mas abre-se um leque de diferentes amigos. Não é dividir é
multiplicar, o que antes era feito sozinho passa a ser feito por dois. Isto é
relacionamento, estar junto, perto, mas ainda assim a individualidade segue,
ele continua gostando de samba-rock e ela de sertanejo. Os gostos não mudam, a
partir do momento que o outro se transforma em algo que o outro almeja, o
relacionamento já esta fadado ao fim. É assim que eu penso, até nos
relacionamentos deve existir uma ordem para as coisas acontecerem, não consigo
entender essa pressa de pular etapas e menos ainda de pensar relacionamentos
como o fim de tudo. A vida segue a diferença é que você viverá outros momentos.
Simples assim...

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