Meus amores desculpem a ausencia por aqui, mas ando com
muitos compromissos nesses ultimos dias. Tenho tanta novidade para contar a vocês.
Estava com saudades deste cantinho delicioso. Minhas ultimas postagens não
escrevi nada sobre meus dias profissionais, mas hoje vou dividir com vocês um
de tantos momentos reflexivos que minha profissão me fornece. Há dois atrás
estive na Penitenciária Estadual, sei que a maioria irá pensar que vou relatar
coisas ruins, mas não vou.
Diferente do que eu imaginava por já ter feito matérias em
outra penitenciária o lugar é limpo, com pessoas educadas e civilizadas. Não se
ouve gritos e nenhum tipo de palavrão. Estive na PECO para fazer uma matéria
sobre as aulas que iriam começar aos detentos. Mas também não é sobre este
projeto que irei falar. Ao entrar senti medo, calafrio e minhas mãos ficaram
geladas automaticamente. Grades se fechando, cadeados e o barulho das portas se
fechando me deixaram com a sensação de nunca mais sair daquele lugar. Eu
experimentei o amargo de ser presa ou melhor de não ter a liberdade de ir para
onde se quer ou entrar em qualquer lugar. Está ai algo que eu nunca tinha parado
para pensar até o momento. Nós reclamamos de tantas coisas, do transito
caótico, dos barulhos da cidade, das pessoas, da roupa que precisamos escolher
e até do que vamos comer.
Garanto que prefiro tudo isso a me sentir presa, engaiolada
e sem poder decidir minha vida. Por melhor que as pessoas possam ser tratadas
naquele lugar, nada se compara a liberdade que lhes é tirada. Não estou fazendo
nenhuma campanha para soltar todo mundo, não é isso, mas é a minha observação
sobre o lugar e o sentimento que me passou naquelas horas que permaneci ali.
Senti medo de uma possível rebelião, dos olhares e de não saber o motivo que
aquelas pessoas estavam presas. Imagino que tenha algumas histórias de vida
maravilhosa também que por um descuido ou momento de fraqueza cometeu-se um
crime e outros que fizeram e fariam de novo quantas vezes forem necessárias.
A revista pela qual me submeti não é nada perto de ver
portões se fechando e aos poucos perceber que também estava presa. Passar por
essas experiências fortalece duas convicções que eu tenho. A primeira a
liberdade é maravilhosa e a segunda é preciso agradecer sempre por ter escolhido
essa profissão que sempre me proporciona reflexões profundas. Hoje deixo aqui o
desejo que vocês percebam como é bom ser livre e poder escolher e decidir a
vida. Aproveito esta postagem para agradecer todo o carinho que venho recebendo
nestes últimos dias, os diversos elogios que recebi e principalmente por saber
que aprenderei muito ainda tanto com as experiências que eu vivo e com pessoas
maravilhosas que me permitem mergulhar em suas vidas. Obrigada por tudo meus
amores. Simples assim...

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