quinta-feira, 25 de abril de 2013

Prefiro a liberdade...



Meus amores desculpem a ausencia por aqui, mas ando com muitos compromissos nesses ultimos dias. Tenho tanta novidade para contar a vocês. Estava com saudades deste cantinho delicioso. Minhas ultimas postagens não escrevi nada sobre meus dias profissionais, mas hoje vou dividir com vocês um de tantos momentos reflexivos que minha profissão me fornece. Há dois atrás estive na Penitenciária Estadual, sei que a maioria irá pensar que vou relatar coisas ruins, mas não vou.

Diferente do que eu imaginava por já ter feito matérias em outra penitenciária o lugar é limpo, com pessoas educadas e civilizadas. Não se ouve gritos e nenhum tipo de palavrão. Estive na PECO para fazer uma matéria sobre as aulas que iriam começar aos detentos. Mas também não é sobre este projeto que irei falar. Ao entrar senti medo, calafrio e minhas mãos ficaram geladas automaticamente. Grades se fechando, cadeados e o barulho das portas se fechando me deixaram com a sensação de nunca mais sair daquele lugar. Eu experimentei o amargo de ser presa ou melhor de não ter a liberdade de ir para onde se quer ou entrar em qualquer lugar. Está ai algo que eu nunca tinha parado para pensar até o momento. Nós reclamamos de tantas coisas, do transito caótico, dos barulhos da cidade, das pessoas, da roupa que precisamos escolher e até do que vamos comer.

Garanto que prefiro tudo isso a me sentir presa, engaiolada e sem poder decidir minha vida. Por melhor que as pessoas possam ser tratadas naquele lugar, nada se compara a liberdade que lhes é tirada. Não estou fazendo nenhuma campanha para soltar todo mundo, não é isso, mas é a minha observação sobre o lugar e o sentimento que me passou naquelas horas que permaneci ali. Senti medo de uma possível rebelião, dos olhares e de não saber o motivo que aquelas pessoas estavam presas. Imagino que tenha algumas histórias de vida maravilhosa também que por um descuido ou momento de fraqueza cometeu-se um crime e outros que fizeram e fariam de novo quantas vezes forem necessárias.

A revista pela qual me submeti não é nada perto de ver portões se fechando e aos poucos perceber que também estava presa. Passar por essas experiências fortalece duas convicções que eu tenho. A primeira a liberdade é maravilhosa e a segunda é preciso agradecer sempre por ter escolhido essa profissão que sempre me proporciona reflexões profundas. Hoje deixo aqui o desejo que vocês percebam como é bom ser livre e poder escolher e decidir a vida. Aproveito esta postagem para agradecer todo o carinho que venho recebendo nestes últimos dias, os diversos elogios que recebi e principalmente por saber que aprenderei muito ainda tanto com as experiências que eu vivo e com pessoas maravilhosas que me permitem mergulhar em suas vidas. Obrigada por tudo meus amores. Simples assim...





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